sábado, 27 de setembro de 2008

Palavras que ferem...

Asas ao tempo

Queria ser um pássaro voando
Perdendo suas penas ao vento
Levaria em revoadas
Meus sonhos...

Daria, por eles,asas ao tempo
E ficaria à espera
De que voltassem
Cantando ao regresso,
Trazendo, lá de cima
A paz e o encanto para meu ninho...

sábado, 13 de setembro de 2008

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que ensiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na verdade está um
pouco usado,meio calejado,muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e,cultivar ilusões.
Um pouco inconsequente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um levianos e preciptado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro,eu quero amor sinsero,
é isso que eu espero..."
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz,sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra,briga,se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério,e às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas,mas que
também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armadura
se deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na horas da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir.Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não amadurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração,ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tando o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconsequente.
Rifa-se um coração cego,surdo e mudo,
mas que encomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado,provavelmente,por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça,sem predigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulancia de se aventurar como poeta.

O meu EU

"Estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me decidia por qual de mim, toda é que nao podia ser; ter nascido era cheio de erros a corrigir. Só tinha tempo de crescer. O que eu fazia para todos os lados, com uma falta de graça que mais parecia o resultado de um erro de cálculo. Na minha pressa eu crescia sem saber pra onde.
Tão secreta é a verdadeira vida, que nem a mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, morro sem saber de quê. E o segredo é tal que, somente se a missãochegar a se cumprir é que, por um relance, percebo que nasci incumbida- toda vida é uma missão secreta."

"Minha Alma"


"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Escrevo


"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"...